A Lição de Mariana (danos ao meio ambiente) – Minas Gerais.

28.11.2015 | em atualidades

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Embora esteja considerado atualmente “morto”, o rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), “vai ressuscitar” em até cinco meses, no final da época de chuvas, em abril do próximo ano.

A afirmação é de Sr. Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, ocorrida no último domingo e que afeta a costa do Espírito Santo.

Embora especialistas tenham divulgado previsões de danos catastróficos, que incluiriam danos à reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por até 10 mil m², Rosman afirma que os efeitos no mar serão “desprezíveis”, que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.

Para ele, há três diferentes cenários de gravidade do desastre e de velocidade de recuperação. No alto, onde a barragem se rompeu, próximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e dependerá de operações de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento. Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo “insignificante” para as empresas.

Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida – até janeiro do próximo ano.

Ao mesmo tempo, o especialista considera “inaceitável” que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria “criminoso” não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.

Paulo Rosman – “A expectativa é que as fortes chuvas que ocorrem entre novembro e abril “lavarão” o rio Doce, num processo natural. Digo isso baseado em quantidades de sedimentos, em conhecimentos de processos sedimentológicos, na dinâmica de transporte desses sedimentos pelas correntes dos rios, dos estuários, das zonas costeiras. Então essas coisas são relativamente rápidas, a natureza se adapta, se reconstrói, se modifica”.

Em Minas Gerais, uma expedição de cientistas está percorrendo áreas atingidas pela lama.

Dez pesquisadores do Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais percorreram o caminho da lama por 70 quilômetros. Recolheram amostras de água e dos rejeitos que se acumularam às margens dos rios.

“O que a gente vai avaliar, por exemplo se tem algum nível de contaminação para metais. Porque existe toda uma legislação que fala da quantidade de partículas e sedimentos que a gente pode ter no curso d’água pra ele ser adequado ou não pro consumo humano”, diz o geólogo Wallace Magalhães Trindade.

O Rio Doce começa no encontro dos rios do Carmo e Piranga. A água dos dois rios está barrenta. A do Carmo, porque ainda contém lama das barragens da Samarco. A do Piranga, não. Está escura por causa da chuva. Num trecho do Rio Doce, os pesquisadores encontraram mata ciliar preservada, o que pode ser um bom sinal para a recuperação da bacia.

“Como nós temos afluentes que ainda trazem água de qualidade, o que nós estamos apostando e temos discutido como um projeto de recuperação é investir nesses cursos d’água que tem quantidade e qualidade ainda, pra que eles ajudem exatamente a fazer essa remoção gradual, que vai ser ao longo de décadas”, explica o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinicius Polignano.

A área mais atingida, no distrito de Bento Rodrigues, ainda não foi analisada. A lama cobre quase todo o vilarejo. Pela primeira vez, foi possível percorrer a rua principal, de ponta a ponta e ver a diferença.

O Google registrou exatamente uma rua, há dois anos. Uma casa chamava a atenção: toda cercada com bambu, plantas no jardim e uma escadaria de pedra que levava a uma lavanderia cheia de roupas. Hoje, nem se vê a escada direito, nada de jardim ou cerca. E as roupas no varal representam a pressa dos moradores que deixaram tudo pra trás.

A vizinhança era diferente: os vizinhos na porta, um deles a cavalo. Casinhas com quintais grandes. E logo à frente, uma escola. O maior prédio de Bento Rodrigues, bem cuidado, parecia novo. O muro não resistiu. A onda de rejeitos foi mais alta que a escola. Elevou o telhado, que foi levado embora. Na mesma rua, várias construções foram totalmente destruídas.

Na foto do Google, na porta de uma casa havia um morador, que observava o movimento. Ao lado, uma criança de bicicleta. Era a parte mais movimentada da rua. Era onde ficava uma das casas mais altas: três andares, com um terraço no alto. A lama foi até o telhado. Metade da construção desabou. Mais à frente, nem dá para acreditar que havia uma praça. Havia um gramado e, atrás, a igrejinha. Ela era do século 18.

Agora, um imenso descampado de lama. Da igreja, não ficou nenhuma parede em pé. Só se vê os primeiros degraus da escada de madeira e uma parte da pia batismal.

“O pessoal relata que final de semana aqui era muito movimentado. Era um local agradável, porque é caminho da Estrada Real né, então o pessoal adorava isso aqui. É, acabou Não tem mais”, conta o subtenente dos bombeiros de Minas Gerais, Selmo de Andrade.

A barragem de Fundão, que se rompeu, também tinha lama da companhia Vale, uma das donas da Samarco com a BHP. A Vale confirmou que destinava parte do rejeito de uma usina de tratamento de minério para Fundão, e que o volume correspondia a menos de 5% do rejeito depositado na barragem. A Vale declarou que o contrato entre as duas empresas definia a Samarco como a responsável pela gestão, controle e operação da deposição.

O Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais deu um prazo até o dia 27 de novembro para a Samarco apresentar um plano que assegure os empregos dos funcionários dela e das empresas contratadas pela mineradora. A Samarco disse que vai usar o tempo de licença remunerada e férias coletivas para avaliar a situação.

A Samarco confirmou a existência de contrato com a Vale pro uso de barragem de rejeitos.

A mineradora Samarco, cujos donos são a Vale e a Anglo-australiana BHP, foi notificada nesta quarta-feira (18) pela Subsecretaria Estadual de Fiscalização de Meio Ambiente, da multa no valor de R$ 112.690.376,32 pelos danos ambientais causados pelo rompimento da Barragem Fundão, no dia 5 de novembro. A Samarco confirmou o recebimento da notificação. A empresa tem o prazo de até 20 dias do recebimento do auto de infração para pagar a multa ou apresentar a defesa.

A barragem de Fundão foi rompida no dia 5 de novembro, destruindo o distrito de Bento Rodrigues e afetando Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Esta última está em situação de emergência, segundoo governo do estado.

Os rejeitos também atingiram dezenas de cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. Sete mortos já foram identificados e quatro corpos aguardam identificação. Doze pessoas estão desaparecidas.

De acordo com a notificação, a multa é pela poluição e degradação ambiental causada pelo rompimento da barragem da Samarco. O documento cita ainda os danos causados aos recursos hídricos, à saúde, à segurança e ao bem-estar da população prejudicada.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) firmou um termo de compromisso preliminar com o Ministério Público Federal (MPF) e a mineradora Samarco para o pagamento de uma caução socioambiental de R$ 1 bilhão. O compromisso foi assinado em Belo Horizonte na sede do Núcleo de Resolução de Conflitos Ambientais do Ministério Público (Nucam).

Além da multa estipulada pelo governo de Minas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou uma multa no valor de R$250 milhões “por causar poluição hídrica; tornar áreas urbanas impróprias para ocupação humana; causar interrupção do abastecimento público de água; lançar resíduos em desacordo com as exigências legais; e provocar a mortandade de animais e a perda da biodiversidade ao longo do Rio Doce, resultando em risco à saúde humana”.

Podemos considerar que os danos causados por este acidente tem âmbito mundial e não somente ao Brasil.  Na verdade não se tem a real abrangência do fato, são muitos os problemas que serão causados ao meio ambiente, a população em geral e aos cofres públicos. Quanto ao tempo de recuperação da natureza, imagino ser longo, ou seja, décadas!!!!

Esperamos ver uma solução concreta dos Governantes. E que esse desastre ambiental sirva de lição para que o Poder Público e a própria sociedade tenham a consciência e a responsabilidade quanto a necessidade de preservação do meio ambiente, adotando medidas preventivas e de controle.

fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/noticia/2015/11/tido-como-morto-rio-doce-ressuscitara-em-5-meses-diz-pesquisador.html;    http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/pesquisadores-seguem-poluicao-para-avaliar-danos-ambientais-em-minas.html. fonte foto: bahiaextremosul.com; jornalggn.com.br; sustentabilidadeedemocracia.wordpress.com; exame.abril.com.br810 × 455; noticias.uol.com.br; www.acheiusa.com; www.braziliantimes.com; www.gazetadopovo.com.br; g1.globo.com;

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